|
Título
original: Derrame - Acidente Vascular Cerebral - Informações
para a família e os cuidadores.
Pesquisado
e escrito por Maria das Graças S. Leal - Psicóloga
- MA. PhD. Núcleo de Estudo e Pesquisa do Envelhecimento
- NEPE Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo - 1996
APRESENTAÇÃO
Este
Manual contendo informações sobre o Acidente
Vascular Cerebral - AVC baseia-se nos resultados da pesquisa
"Estudo do Suporte Domiciliar aos Adultos com Perda de
Independência e Perfil do Cuidador Principal" (PUC-SP/LSHTM
/ Londres / SANDOZ, CNPq), realizado em São Paulo entre
1992 e 1995, coordenado pela Dra. Ursula M, S. Karsch.
Esses
resultados deixaram claro o forte impacto nas relações
familiares causado pelo AVC e suas conseqüências.
Na maioria dos casos, os pacientes dependentes e seus cuidadores
estavam desinformados quanto à doença e como
superar as dificuldades cotidianos para ajudar na recuperação.
A maior
demanda dos cuidadores pesquisados referiu-se à falta
de informação sobre a doença e sua evolução.
Em particular, os cuidadores se manifestaram despreparados
para as complexas e fatigantes tarefas de prestar os necessários
cuidados ao doente.
O Manual
foi preparado visando a uma população que necessita
de informações simples e objetivas, descritas
em linguagem clara e acessível.
Espero
que o documento cumpra sua importante missão de contribuir
para a recuperação dos pacientes de AVC e de
facilitar o cotidiano dos cuidadores.
ALEXANDRE
KALACHE
Chefe do Programa de Envelhecimento e Saúde da
Organização Mundial de Saúde
Genebra
INTRODUÇÃO
Quem convive com uma pessoa que está se recuperando
de um derrame precisa ter paciência e muita compreensão.
Não
existem respostas prontas para os problemas encontrados. Ainda
que o hospital dê orientações, problemas
podem acontecer quando o doente volta para casa.
É
importante lembrar que as pessoas são diferentes
umas das outras quanto ao jeito de reagir à doença,
Ter informações
sobre o derrame e sobre os problemas que ele traz pode ser
de grande ajuda para a pessoa que cuida do doente e acompanha
o tratamento.
O objetivo
deste manual é informar e sugerir práticas sobre
os cuidados para com o paciente de derrame e servir
de apoio à família, facilitando com orientação
o importante trabalho do cuidador.
O QUE É O DERRAME ?
O derrame
acontece quando o sangue que "alimenta" uma parte
do cérebro é cortado. Isso pode acontecer por
entupimento em uma das veias ou por um sangramento (hemorragia)
dentro do cérebro. Como conseqüência, todas
as funções controladas por esta parte afetada
do cérebro ficam descontroladas.
As pessoas
mais velhas têm mais facilidade de ter um derrame.
O derrame
pode ser mais leve ou mais forte.
Derrame
mais leve: pode dar fraqueza, dificuldades que passam
logo, desaparecendo após algumas horas, com a melhora
completa da pessoa.
Derrame
mais forte: pode acontecer perda da consciência
(desmaio), completa paralisia de um lado do corpo, problema
da fala, confusão mental ou até a morte.
O derrame
pode acontecer para muitas pessoas, seja o mais leve, seja
o mais forte. Pode ser forte, causando incapacidades e
dificuldades ao doente, mas em alguns casos, com ajuda, ele
vai aos poucos melhorando.
Sinais
que mostram que uma pessoa pode estar tendo um derrame:
- Fraqueza
ou paralisia de um lado do corpo.
- Dificuldade
de equilíbrio - para ficarem pé, andar ou
sentar-se sozinha.
- Dificuldade
para enxergar - perda de visão de um olho ou dificuldade
para ver claramente com os dois olhos.
- Dificuldade
para se comunicar - falar "enrolado" e ter dificuldade
para entender o que os outros estão falando.
- Confusão
mental - perda de memória e dificuldades para fazer
coisas que conhece.
- Dor
de cabeça forte, de repente e sem motivo, seguida
de vômito, sono ou estado de coma.
- Estes
sinais não são só do derrame. São
problemas de saúde que indicam que o médico
deve ser procurado imediatamente.
O QUE FAZER NO MOMENTO EM QUE ACONTECE O DERRAME ?
- É
importante que a pessoa possa respirar; para isso ela:
- Deve
ser deitada de lado, com o travesseiro baixo e o pescoço
esticado.
- Se
usar dentadura, esta deve ser retirada.
- Se
estiver comendo ou bebendo, deve tirar a comida ou o líquido
de dentro da boca.
- O
derrame é uma urgência.
-
A pessoa deve ser levada ao Pronto Socorro imediatamente.
-
Não dê remédio sem orientação
médica.
Quando
o derrame é causado por uma hemorragia dentro do cérebro,
logo aparecem os sinais. Quando se tem a "veia entupida",
os sintomas podem vir depois de algumas horas. Quando o derrame
é causado por um entupimento de veia no cérebro,
os sintomas podem aparecer depois de algumas horas.
As pessoas
que têm pressão alta, diabetes, obesidade, taxa
de colesterol alta têm maior possibilidade de ter um
derrame. Lembre-se de que o tratamento médico deve
ser sempre seguido corretamente, porque ele pode diminuir
a possibilidade de se ter o derrame.
 |
|
|
O
Paciente pode ser deitado de qualquer lado
|
TRATAMENTO DEPOIS DO DERRAME
Como
os problemas do derrame são diferentes em cada pessoa,
as necessidades serão diferentes e seu tratamento deve
ser planejado. "Cada caso é um caso".
É
necessário consultar o médico ou outra pessoa
que entenda, a fim de receber-se orientação
sobre os procedimentos necessários para se cuidar do
doente.
Após
a alta do hospital, o tratamento continua, e quanto mais cedo
começarem os cuidados corretos ao doente, mais benefícios
ele terá e maior será sua possibilidade de melhorar.
O doente
deve ir à consulta no ambulatório do hospital
e lá encontrará médicos que cuidarão
de cada uma das suas dificuldades. Esses profissionais darão
consultas de acordo com a necessidade: neurologia, fisiatria,
fisioterapia, assistência social, fonoaudiologia, psicologia
e terapia ocupacional. É a equipe do hospital que cuida
do tratamento do doente. É aconselhável que
o cuidador acompanhe o paciente nas consultas e converse com
o profissional, pedindo orientação sobre os
cuidados que pode desenvolver em casa.
COMO EVITAR COMPLICAÇÕES:
- Atenção
para os horários dos remédios, pois o paciente
pode perder um pouco da memória e se esquecer da
medicação.
- Comparecer
sempre às consultas do médico, à fisioterapia
e a outras sessões.
- Desde
os primeiros dias do derrame, usar posições
certas para deitar, sentar e levantar e evitar posições
erradas que não deixem o paciente fazer movimentos,
como estender a perna ou dobrar o braço.
- Fazer
com disciplina os exercícios e as atividades orientados
pela fisioterapia, para manter os movimentos e a saúde
das articulações.
- Evitar
a imobilidade (ficar só deitado ou sentado). Ficar
imóvel facilita as infecções respiratória
e urinária, a trombose nas pernas e a osteoporose
(perda de massa óssea).
Como prevenir:
-
Infecção respiratória:
Movimentar sempre o doente, evitando que fique deitado
muito tempo durante o dia. Fazer sentar, andar e tossir,
se precisar;
Oferecer-lhe bastante líquido;
Observar se tem dor no peito ou respiração
mais curta.
-
Infecção urinária:
Oferecer sempre líquidos;
Perguntar se tem dor ou dificuldade para urinar;
Observar a cor da urina logo após ser eliminada.
A qualquer alteração ir ao médico;
Febre sem explicação deve ser avaliada.
Trombose nas pernas:
A movimentação do doente é muito
importante;
Mudar sempre o doente de posição. Estimular
movimentos;
Observar as pernas: se aumentam de volume, mudam de
cor ou apresentam manchas, procure o médico.
Osteoporose:
Evitar a imobilidade;
Realizar os exercícios orientados pela fisioterapia;
Dieta rica em cálcio, com orientação
médica.
Finalmente,
dar ao doente um ambiente tranqüilo e de compreensão,
para o tratamento correr bem.
EFEITOS
PSICOLÓGICOS
Como as conseqüências do derrame podem ser graves
(paralisias, dificuldade para o equilíbrio, visão
confusa, entre outras), pode acontecer que os pacientes sofram
de tristeza, angústia e depressão.
Quando
existe dificuldade de se comunicar, falar ou entender, é
comum que as pessoas chorem e se isolem, ficando sozinhas.
Quando
essas pessoas perdem a capacidade de andar e poder fazer o
seu trabalho e executar os cuidados pessoais, é
comum que sofram de raiva e tristeza. Comportamentos agressivos
e de revolta aparecem também em alguns doentes.
Esses
sentimentos do doente às vezes são vividos por
pessoas que cuidam dele.
É
importante mostrar carinho ao doente. Deve-se tocar o
paciente no lado que sofreu o derrame. A pessoa precisa saber
que "esse lado" ainda existe e pode ser melhorado.
O paciente pode "esquecer" que ainda tem a perna,
o braço.
Não
dizer ao paciente "seu braço doente", "seu
braço bom", por exemplo. Dizer sempre seu braço
direito ou seu braço esquerdo, para que ele saiba que,
mesmo com dificuldades, esse braço ainda é
parte de seu corpo.
Tomar
cuidado com o que se fala na presença do paciente,
pois, mesmo não podendo falar, ele escuta e tem sentimentos.
Usar pijama ou camisola somente à noite.
Durante o dia dar boa aparência ao paciente ( cabelo
penteado e barba feita ).
Convidar
o paciente a participar da vida da família. Dar
pequenas coisas para ele fazer. Evitar o isolamento.
REABILITAÇÃO
A reabilitação
compreende um conjunto de atividades que ajudam o doente a
desenvolver novas formas de realizar as tarefas que deixou
de fazer por um tempo.
As dificuldades
variam a cada dia. Às vezes, parece que o doente "piorou".
Doente
e cuidador podem ficar abatidos, se não souberem que
é assim mesmo e que não devem desanimar.
É
importante não cansar muito o doente. Se ele ficar
cansado, pode também ficar triste, perder a confiança
e não encontrar motivos para continuar seu tratamento
de recuperação. É preferível
um programa de atividades mais simples que o doente possa
realizar. Com isso, ele fica satisfeito e tem vontade de continuar.
Siga sempre a orientação do profissional.
O doente
que sofreu derrame deve saber que a melhora pode ser muito
grande, mas é muito difícil que seja TOTAL.
A esperança de uma recuperação, mesmo
que PEQUENA, deve ser motivo para que a reabilitação
comece o quanto antes.
Às
vezes queremos apressar a reabilitação do doente.
Lembre-se
de que é importante que ele recupere a confiança
em si mesmo para voltar a ter equilíbrio, e para isso
precisa reaprender a sentar e a levantar primeiro, para depois
tentar voltar a andar. Assim, ele irá demorar mais
tempo para voltar a ter certa independência, mas quando
o conseguir se sentirá mais seguro. A família
deve esperar o tempo que o doente necessitar para recuperar
cada uma das funções que perdeu. "Cada
caso é um caso". Apoie e incentive as pequenas
melhoras.
Os doentes
mais idosos que permanecem mais tempo na cama por causa do
derrame ou de outra doença merecem mais atenção.
É
importante verificar se está havendo mudança
em seus movimentos, na maneira de falar e na quantidade de
sono. Se houver piora, por exemplo, na fala, ou se diminuíram
os movimentos do braço e da mão, levar o doente
ao médico e explicar o que está acontecendo.
CUIDADOS E PROVIDÊNCIAS
O
cuidador deve saber que ajudar o doente não é
fazer as coisas por ele. O importante é ter paciência
e esperar que aos poucos o próprio doente as possa
ir fazendo sozinho. Mesmo que leve mais tempo, isso pode trazer
mais satisfação e melhoras ao doente.
É
importante que as pessoas que tiveram derrame sejam capazes
de usar mais o lado que está "bom", enquanto
o lado "doente" está melhorando.
Nos primeiros
meses, o mais comum que pode acontecer com o paciente é
o seguinte:
-
COMUNICAÇÃO - Dificuldades para conversar
e para entender o que lhe falam.
-
ALIMENTAÇÃO E LIMPEZA DA BOCA - Dificuldade
para engolir, mastigar, levar o alimento à boca e
para escovar os dentes.
-
ANDAR E FAZER MOVIMENTOS - Dificuldades para andar,
sentar, levantar e para usar bem os braços e as pernas;
-
ATIVIDADES DE TODO DIA - Necessidade de ajuda para se
vestir, ir ao banheiro, tomar banho, comer e outras.
-
ESCARAS (feridas na pele) - Por ficar muito tempo sentado
ou deitado na mesma posição.
Vamos
ver como o paciente pode ser ajudado nessas situações.
COMUNICAÇÃO
DIFICULDADE
PARA SE COMUNICAR - Às vezes, a confusão
e o nervosismo que a pessoa sente nos primeiros dias pode
impedi-la de falar ou entender o que está acontecendo.
As pessoas que cuidam desse paciente devem dar pequenas informações
de forma clara, repetindo-as se necessário. Não
forçar o doente a grandes respostas. Perguntar apenas
o que ele possa responder com a cabeça.
NESSE
MOMENTO SÃO MUITO IMPORTANTES A SOLIDARIEDADE E A PACIÊNCIA.
Existem
dois tipos de dificuldade de comunicação após
um derrame:
Quando
os músculos do rosto são prejudicados com o
derrame, o doente pode ter dificuldades ao falar, tornando
também difícil o entendimento do que ele diz.
Isso não quer dizer que ele não entenda o que
você diz. Para entender melhor o que ele quer falar,
se puder, peça que ele escreva; assim não ficará
irritado e você poderá entender melhor sua necessidade.
Se ele
não puder escrever, faça perguntas que ele possa
responder com sinais, fazendo sim ou não com a cabeça,
e combine os sinais com ele. Vocês têm como se
entender com calma e paciência.
A perda
ou a dificuldade da fala torna difícil o relacionamento
entre doente e cuidador, sendo que às vezes os dois
ficam tristes e nervosos
O que
pode e deve ser feito?
Falar normal com o paciente, mas bem devagar.
Ao falar com o paciente, não deixe que nada o distraia,
pois, concentrando a atenção, você poderá
entendê-lo com mais facilidade.
Chamar sempre o paciente pelo seu nome.
Quando a pessoa quiser falar, olhar nos olhos dela, mostrar
interesse e paciência para com ela, esperando o tempo
que ela precise para falar ou se expressar.
Não falar demais: conversar com frases curtas, dando
tempo para a pessoa entender. Exemplo: Está com frio?
Quer um agasalho?
Tentar se comunicar por gestos, expressões do rosto,
desenhos, objetos, etc.
Ao fazer coisas com e para o paciente, ir dando nome a tudo
o que está sendo usado, por exemplo: água,
banho, sabonete, pente, grampo e outros objetos.
Tenha
muita paciência durante toda essa recuperação.
Evite
que a pessoa doente fique isolada.
 |
|
Comunicação
|
ALIMENTAÇÃO
E LIMPEZA DA BOCA
Ao
preparar a comida para o doente:
Oferecer alimentos que facilitem a digestão.
Usar pouco sal;
Cozinhar com pouca gordura;
Oferecer líquidos várias vezes ao dia para
evitar a ocorrência de desidratação.
Escolher alimentos que ajudem o intestino a funcionar. (Só
o médico deve indicar ou não o uso de laxantes).
Comer
e beber pode ficar difícil após o derrame.
Às
vezes os músculos de um dos lados do rosto e a língua
estão prejudicados. Até para engolir o paciente
sente dificuldade e pode engasgar-se.
Como
cuidar dessa pessoa?
Oferecer líquidos com uma colher, aos poucos, deixando
a pessoa sentada e com o corpo reto.
Logo que a pessoa melhore, dar pequenos bocados de comida
amassada, colocando o alimento do lado melhor da boca;
Se a boca ficar torta, o uso da dentadura ou de ponte fica
difícil. Nesse caso, procure um dentista para fazer
uma nova dentadura. Procure não deixar o doente sem
a dentadura, pois terá dificuldade para comer e falar.
IMPORTANTE:
- Usando
o lado que não foi prejudicado pelo derrame, a pessoa
pode alimentar-se sozinha.
LIMPEZA
DA BOCA
Tomar cuidado com restos de comida que podem ficar entre
a gengiva e a bochecha.
Limpar com escova de dentes ou com cotonete.
Enxaguar a boca com água salgada, para evitar mau
cheiro, gosto amargo e infecções.
Passar manteiga de cacau ou óleo nos lábios
para evitar rachaduras.
Se a pessoa babar, proteger-lhe o peito e deixar um pote
ao seu alcance, onde ela possa cuspir.
|
Limpar
os dentes e a boca:
|
|
|
|
Palito
com a ponta arredondada
|
|
|
|
Cotonete
ou palito tendo na ponta
um algodão amarrado
|
|
|
|
Escova
de dente com a haste envolvida em
esponja, para segurar com mais facilidade
|
|
|
ANDAR
E FAZER MOVIMENTOS
Ajudar
o paciente a se levantar e a mudar de lugar deve ser feito
com muito cuidado. Doente e cuidador podem se machucar se
a posição o apoio estiverem errados. Os dois
podem cair ou sobrecarregar as "costas."
Como
levantar e mover o paciente?
Informar sempre ao paciente o que irá fazer, pois
só assim ele pode colaborar;
Segurar o paciente bem próximo ao corpo do cuidador.
Apoiar o peso do corpo nos músculos das pernas e
não nos músculos das costas.
Ter certeza de que o doente está firme para não
cair.
Doente e cuidador devem usar sapatos confortáveis
e sem saltos. Dê preferência a solas de borracha.
Se o paciente for muito pesado, pedir ajuda de mais alguém,
para não correr o risco de caírem ou se machucarem.
Ao tirar o doente da cama, fazer em primeiro lugar que ele
se sente na beirada. Apoiá-lo em seguida, segurando
o lado dele que está bem e fazer um "calço"
com o pé para dar mais firmeza e poderem girar o
corpo juntos.
Alguns pacientes precisam de duas pessoas para começar
a andar, mas se lhe for oferecido um andador, este também
pode funcionar bem.
Como o paciente pode estar enxergando menos, é importante
retirar quaisquer objetos do caminho, deixando-o o mais
livre possível.
Não esquecer os riscos que podem significar tapetes
soltos, assoalho com falhas ou muito escorregadio, degraus,
escadas e outros pequenos obstáculos.
De preferência, manter o doente num mesmo andar da
moradia, caso ela tenha mais de um.
Estimular o paciente a andar até o banheiro, evitando
assim o uso de "comadres" e "papagaios",
pois, quanto mais o paciente se locomover, melhor é
para ele e para o próprio cuidador.
Diferentes
maneiras de ajudar o paciente a levantar-se ou mudar de posição.
|
|
|
ABRAÇAR
FORTE E DIZER AO PACIENTE
O QUE IRÁ FAZER
|
| |
|
|
|
|
|
SEGURÁ-LO
PRÓXIMO DO CORPO
|
| |
|
|
|
|
|
SEGURAR
NO LADO QUE ESTÁ BEM.
PEDIR AJUDA AO PACIENTE
|
| |
|
|
|
|
|
USAR
BRAÇOS E PERNAS E EVITAR FORÇAR AS
COSTAS
|
Mudança da cama para a cadeira,
Com ajuda do paciente
 |
|
SENTAR
O DOENTE NA BEIRADA DA
CAMA. PEDIR A SUA COLABORAÇÃO.
|
 |
|
ABRAÇADOS, LEVANTÁ-LO DEVAGAR.
|
 |
|
GIRAR O CORPO JUNTOS.
|
 |
|
SENTAR DEVAGAR.
DOBRAR AS PERNAS.
NÃO FORÇAR AS COSTAS.
|
Mudar
o paciente da cama para a cadeira,
com
ajuda de outra pessoa.
 |
|
SEGURÁ-LO
PERTO DO CORPO.
|
 |
LEVANTAR
O DOENTE JUNTOS.
|
 |
DEVAGAR,
FAZENDO MOVIMENTOS JUNTOS.
|
 |
|
DOBRAR
AS PERNAS. NÃO FORÇAR AS COSTAS.
|
ATIVIDADES
DE TODO DIA
O trabalho de todo o dia pode ser facilitado com algumas idéias.
Por exemplo:
Enrolar o cabo da colher com esponja facilita para segurar.
Pedaços de madeira colocados sob os pés de
cadeiras baixas facilitam à pessoa levantar-se.
Um cordão amarrado à porta permite que ela
seja aberta sem que a pessoa necessite levantar-se.
Mudar o lugar dos móveis pode dar mais espaço
para o andador ou para dar passagem ao cuidador em auxílio
ao doente.
Barras nas paredes do quarto e do banheiro facilitam ao
paciente o ato de andar.
Uma mesinha com objetos pessoais e de uso do doente, colocada
perto do lado que não foi prejudicado pelo derrame,
ajuda-o a pegar as coisas sem pedir ajuda.
Estimular todos os movimentos e as pequenas tarefas que
o doente tenta ou pode fazer.
Limpeza pessoal e ato de vestir-se
Se água, sabão, esponja e toalha forem colocados
do lado em que o doente manteve os movimentos, ele será
capaz de lavar sozinho a parte superior de seu corpo. Assim,
só precisará de ajuda para a parte inferior.
O cuidador deve verificar se há ou não escaras
(feridas) na pele.
Cadeiras de rodas adaptadas ao uso durante o banho facilitam
o trabalho de ambos, paciente e cuidador.
Se houver barras nas paredes do banheiro, a pessoa poderá
levantar-se, alcançar a pia, o papel higiênico
e até mesmo limpar-se sozinha.
Usar roupas largas, sem botões, fáceis de
serem vestidas, com fechos na frente, de preferência
de velcro; com essas facilidades, os doentes poderão
trocar-se sem ajuda.
É bom colocar o paciente diante do espelho para aprender
a se trocar, fazendo com que tire ou coloque em primeiro
lugar do lado que sofreu o derrame. Olhando-se ao espelho,
ele entende melhor os movimentos que deve fazer.
O QUE SÃO ESCARAS?
Quando
o corpo está paralisado, a pessoa que se encontra na
cama ou sentada não se pode mexer, o que acaba provocando
a formação de feridas (ESCARAS) na região
que fica mais tempo em contato com o colchão ou a cadeira.
Como ajudar
o paciente a não ter escaras?
Evitar que o paciente durma o dia todo. Sempre que possível,
mudar de posição e colocá-lo sentado
na cama, cadeira ou sofá.
Sempre que mudar a pessoa de lugar, fazer isso com cuidado
para não raspar a pele dela no lençol, nos
estofados ou nas cadeiras. Deixar a roupa que fica embaixo
do paciente sempre lisa e sem dobras e tomar cuidado com
farelos ou pedacinhos de comida.
Manter o paciente limpo, quando ele perde o controle da
urina e das fezes; trocá-lo sempre e passar uma camada
de creme para proteção.
Se possível, andar devagar com a pessoa e oferecer-lhe
a ajuda de aparelhos. Estimular todo movimento que o doente
possa fazer.
ATENÇÃO:
Lavar a pele sempre com muito cuidado.
Não esfregar a pele ao limpar.
Pele ressecada pode originar feridas (escaras).
|
LOCAIS QUE APARECEM ESCARAS
|
 |
FINALIZANDO
Reabilitar
um doente que sofreu derrame é;
Ensinar de novo as tarefas que um dia ele já fez
sozinho.
Ter paciência e carinho para valorizar os pequenos
progressos de cada dia, até que o doente consiga
o máximo de independência que lhe for possível.
Dar ao paciente todas as informações sobre
o que está acontecendo com ele.
O
QUE FAZER PARA EVITAR O DERRAME ?
- CONTROLAR
A PRESSÃO
A
pressão alta aumenta o risco do derrame. Se a sua
pressão está alta, procure o médico.
Nem sempre é necessário tomar remédios
para abaixar a pressão. Algumas medidas podem ajudar.
-
Diminuir o sal
-
Muito sal faz subir a pressão.
-
Use pouco sal ao preparar os alimentos.
-
Não coloque saleiro na mesa durante as refeições.
-
Evite salgadinhos e enlatados.
-
Use outro tempero em lugar do sal, como, por exemplo,
ervas, alho e cebola.
-
Deixar de fumar
-
As pessoas que fumam têm mais possibilidade de vir
a sofrer um derrame.
-
Fazer exercícios físicos regularmente
-
Caminhar é uma boa sugestão.
-
Evite exercícios fortes.
-
Os exercícios dão vigor e aliviam o nervosismo.
-
Os exercícios ajudam a relaxar e a dormir melhor.
AVALIAR O COLESTEROL
-
Não coma alimentos com muita gordura, principalmente
gordura animal.
-
As margarinas devem substituir a manteiga; para cozinhar,
prefira óleo de milho, girassol ou canola.
-
Use leite desnatado e dê preferência a queijos
magros.
-
Coma alimentos ricos em fibras, como pão integral,
macarrão, feijão, frutas e legumes frescos.
-
EQUILIBRAR O PESO
-
O excesso de peso aumenta a possibilidade de ter derrame.
- CONTROLAR
ALTAS TAXAS DE AÇÚCAR NO SANGUE
-
O diabete aumenta a possibilidade do derrame.
-
Trate o diabete.
- PÍLULA
ANTICONCEPCIONAL
-
Só com orientação médica.
O risco de derrame aumenta para as mulheres que tomam
pílula. A ocorrência de enxaqueca e o fumo,
quando associados à pílula, aumentam as
possibilidades do derrame.
-
Atenção - Cada fator acima descrito predispõe
à ocorrência do derrame. É importante
evitar a combinação ou a soma desses fatores,
pois os riscos aumentam com a sua associação.
NÃO TOME REMÉDIOS SEM
ORIENTAÇÃO
DO MÉDICO.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Garrett,
Gill. Adding Health to Years. Edited by Katrina Payne.
HeIpAge Internacional. London, 1993.
Hopkins,
A. Reducing the risk of a stroke. London. Edited by the
Stroke Association. London, 1993.
The Stroke
Association. Stroke - Questions and answers. London,
1993.
Daniani,
Isbjen Thadeo; Yokoo, Edson Dassamu. Acidente Vascular
Cerebral - Um guia para pacientes e familiares. In:Trb
pharma. Ciéncia e Saúde como Princípio
- 1995.
Nobre,
M.R.C, Domingues. R.Z.L. Doença Vascular Cerebral
- In.: Unimed. Qualidade de Vida e Medicina Preventiva.
SP. 1996.
|